Juno (Juno)
Drama – Estados Unidos/Canadá/Hungria – 95 Minutos
Direção: Jason Reitman Roteiro: Diablo Cody
Estréia: 22/02/2008
Oscar 2008 (Indicações): Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz e Melhor Roteiro
Cotação 89:




A gente foi conferir mais uma promessa para o Oscar 2008: a comédia dramática “Juno”, do diretor Jason Reitman (“Obrigado Por Fumar”), que recebeu 4 indicações.
“Juno” foi produzido de modo semi-independente com um orçamento de 7,5 milhões de dólares, merreca para Hollywood. Com praticamente um mês em cartaz nos Estados Unidos, o filme já arrecadou mais de 85 milhões, quase 12 vezes mais do que custou. Esse enorme sucesso veio das ótimas críticas e das 3 indicações ao Globo de Ouro.
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Juno é uma esperta menina de 16 anos, que resolve transar com o melhor amigo da escola. O problema começa quando ela descobre que está grávida, e tem que lidar com a situação. Ela chega a pensar no aborto, mas, quando chega a hora, desiste da idéia. A única solução que ela encontrou foi arrumar pais adotivos para criança. Aí ela conhece o “perfeito” casal, interpretado por Jennifer Garner (série “Alias”) e Jason Bateman (“O Reino”), o que parece ser a solução perfeita para os seus problemas.
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Jason Reitman ainda não é um nome muito conhecido, mas está claro que ele sabe o que está fazendo. Desde o aclamado e premiado “Obrigado Por Fumar”, Jason é mais um que mostrou pra Hollywood que é possível fazer filmes de qualidade sem um orçamento milionário. A diferença é que “Juno” tem um apelo comercial bem mais forte do que “Obrigado Por Fumar”, mas isso não é um defeito, muito pelo contrário! Esta é uma das mágicas do cinema: conseguir fazer um filme de qualidade, e que, ao mesmo tempo, consiga atrair uma gorda bilheteria. De nada adianta fazer um grande filme como o recente “Sangue Negro”, de Paul Thomas Anderson, e ser um fracasso nas bilheterias – o longa, que concorre a 8 Oscars, arrecadou menos de 8 milhões e meio de dólares desde sua estréia, no fim de dezembro.
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“Juno” tem um roteiro comovente, porém nada tradicional. A protagonista Ellen Page, uma das grandes promessas pro Oscar de Melhor Atriz, interpreta uma garota honesta de caráter firme, mas que, ao mesmo tempo, foge completamente do convencional. Ela curte rock, estimula o amigo bobalhão a fazer sexo e acaba encantando todo mundo com esse jeito, como ela mesmo define, “esquisito”.
A personagem Juno é uma Cinderela do século 21, que não larga o sapatinho de cristal, e sim uma camisinha. Todo o elenco de apoio é fantástico, incluindo Jennifer Garner, que, se por um lado não tinha expressões no filme “Elektra”, agora aparece perfeita no papel da mulher perfeccionista que sonha em ser mãe, e se sente frustrada por não conseguir realizar seu sonho, apesar de ter tanto dinheiro.
O filme faz uma comparação de classes sociais que são muito bem contrapostas de maneira gradativa. Nada em “Juno” é jogado: as cenas são muito bem feitas e docemente engraçadas. Aliás, ‘doce’ seria a palavra certa para definir essa comédia com pitada dramática. Falando em doce, a trilha sonora é outro ponto fundamental no filme. Músicas que representam a inocência da protagonista e a surpresa de uma descoberta que pode mudar sua vida. Não é à toa que o CD com a trilha sonora oficial está entre os mais vendidos nos Estados Unidos.
A abertura do filme é feita em animação 2D, e é outro detalhe que coube muito bem na produção.
“Juno” é o tipo de filme que retrata a nossa sociedade, que é hipócrita por natureza, mas não deixa de mostrar como a delicadeza e a inocência de uma garota pode mudar as coisas.
“Juno” é uma das grandes promessas para o Oscar 2008, e chega nos cinemas brasileiros dia 22 de fevereiro.