“As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian” (The Chronicles of Narnia: Prince Caspian)
Estados Unidos – 147 Minutos
Gênero: Aventura/Fantasia
Estréia no Brasil: 30/05/2008
Direção: Andrew Adamson
Site oficial: http://disney.go.com/disneypictures/narnia
Cotação 89: 



O filme “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”, segunda adaptação inspirado nas obras de C.S. Lewis, estréia sexta-feira nos cinemas americanos. Como tudo é primeiro na 89, a gente conferiu o filme antes mesmo dele estrear em território americano e vamos te dizer o que esperar de uma das estréias mais aguardadas do ano.

Antes de começar a analisar qualquer coisa, existe um fato importante a ser considerado: este é um filme dos estúdios Walt Disney. Isso significa que vai ser, antes de qualquer coisa, um produto de extrema qualidade. Não falo isso para puxar o saco da Disney – até mesmo porque acredito que ela já viveu tempos melhores – mas porque é um crédito merecido. Todo o produto da companhia de Mickey chega perfeito ao consumidor final, que, neste caso, são os espectadores.

O primeiro filme de “As Crônicas de Nárnia” era tecnicamente perfeito, pensado e adaptado da obra de C.S. Lewis nos mínimos detalhes. O problema, como acontece muito com os filmes da Disney, foi o roteiro. As falas, as tramas e os conflitos subestimam a inteligência do público mais novo, e os roteiristas entregam cada detalhe da história muito bem mastigado. Outro detalhe, que faz de “As Crônicas de Nárnia” um filme morno, é a imersão nos clichês do gênero. Com isso, o que poderia ser uma imensa produção épica, acabou virando um filme infantil de pouquíssima profundidade.

Mas calma! Por incrível que pareça, “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian” é completamente diferente do seu antecessor.
A história começa em Londres, mas logo se muda para a terra mágica de Nárnia, que agora aparece em ruínas. Apenas um ano se passou para os irmãos Pevensie, mas 1.300 anos de história transcorreram naquela dimensão, agora dominada pelos telmarinos, que baniram os animais falantes e as criaturas mitológicas de Nárnia. Assim, os irmãos precisam voltar para ajudar seu reino. Curiosamente, é um legítimo herdeiro dos telmarinos, Caspian, quem clama pelos reis em nome da antiga magia de Nárnia. Caspian sofre nas mãos do tio, o rei Miraz, que quer ver o seu filho herdeiro assumir o trono.

A linha de raciocínio do roteiro já começa a se desenvolver diferente logo nos primeiros minutos de projeção, mostrando dois lados da história simultaneamente. Além de dar agilidade a história, mostra que a Disney resolveu confiar um pouco mais na inteligência dos seus espectadores. “Príncipe Caspian” é uma obra inteiramente mais madura do que o original, e mostra esse progresso do primeiro ao último minuto. Os atores estão mais bem dirigidos em cena, destacando-se William Moseley, que interpreta o rei Peter Pevensie, e o italiano Sergio Castellitto, que faz o rei Miraz. Sergio simplesmente brilha em cena, e dá o tom sarcástico e irônico que o personagem precisa. A trama é bem desenhada e vai se desenrolando de um modo menos linear do que no primeiro filme, deixando o espectador menos cansado. Os clichês voltam a aparecer, mas em quantidades menos exorbitantes: um “beijo aplaudido pela multidão” aqui, um “este é o seu destino” acolá – nada que atrapalhe muito o desenrolar da história.

Tecnicamente, assim como o primeiro filme, “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian” é perfeito: efeitos de computação gráfica super afiados, movimentos, texturas e cores reais e impecáveis. A fotografia deixa a desejar, trazendo tons amarelados (dando a impressão de sol e tempo aberto), quando o filme tem um apelo mais épico e dramático, o que ficaria melhor em tons mais frios. Falando em épico, as batalhas são espetaculares e violentas na dose certa – sem exageros.

“As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian” é incrivelmente superior ao primeiro filme, e deixa o espectador com um gostinho de “quero mais”. A estréia por aqui só rola no dia 30 de maio, mas, como sempre, a gente já te adiantou o que vem pela frente.

Por: Armando Saullo
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