10.000 A.C. (10.000 B.C.)
Ação / Épico – 100 minutos
Estréia no Brasil: 07/03/2008
Direção e Roteiro: Roland Emmerich Roteiro: Harald Kloser
Site oficial: www.10000acofilme.com.br
Cotação 89:

Você pode até não se lembrar do nome de Roland Emmerich, mas com certeza já foi ao cinema para ver algum de seus filmes.
O cineasta alemão foi responsável por “Independence Day”, “O Dia Depois de Amanhã” e “Godzilla”, filmes que arrecadaram muito dinheiro nas bilheterias. Só pelo currículo dele, dá pra perceber que o cara adora uma tragédia. “10.000 A.C.” segue a linha de produção de ação em grande escala, e de efeitos especiais usados maçantemente. Isso é bom? Depende do que o espectador está procurando: se você vai assistir ao filme que traz o texto “do mesmo diretor de Independence Day e O Dia Depois de Amanhã”, no mínimo, você gosta de um filme de ação.

A campanha de “10.000 A.C.” foi bastante forte, incluindo várias ações promocionais, e até uma visita de Roland Emmerich ao Brasil. Nesta visita, o diretor confessou que misturou vários períodos, e que algumas cenas não têm nada a ver com a realidade. Ou seja, ele quis fazer um épico sem se preocupar com a veracidade dos fatos acontecidos em 10.000 anos antes de Cristo.

A 89, como sempre, assistiu ao filme em primeira mão, e vai te adiantar o que vem por aí. “10.000 A.C.” conta a história de uma tribo que vive ameaçada pelo tempo ruim e a falta de alimento. D’Leh, interpretado pelo carismático Steven Strait, é um caçador de mamutes que tem mais sorte do que coragem. Ele se apaixona por Evolet (a brasileira Camilla Belle), uma mulher que teve sua família exterminada pelos demônios. Esses demônios são guerreiros de uma civilização bem mais avançada, que passam pelas outras tribos caçando as pessoas para trabalho escravo.

Certo dia eles encontram a tribo de D’Leh e seqüestram Evolet. Então, D’Leh se vê obrigado a ir em busca do desconhecido para salvar a mulher amada. Se isso parece clichê o suficiente, pode esperar que vem muito mais por aí. D’Leh segue nessa jornada, onde encontra várias tribos que também receberam a “visita” dos demônios.
Um ponto crucial é que fica impossível entrar no clima da história com os personagens falando inglês. De duas, uma: ou se cria uma língua diferente para a época, ou se usa outro tipo de linguagem que não seja a fala.

“10.000 A.C.” vai pelo caminho mais óbvio, subestimando a inteligência do espectador. E isso se passa por todo o filme, já que Roland insiste em fazer uma misturada inacreditável. Animais e povos de épocas diferentes se encontram, e os homens são muito mais avançados do que seria possível pra época.

Já que falharam na contextualização, se espera que tenham acertado, pelo menos, nos efeitos especiais. Infelizmente, isso aconteceu em partes. O chroma key, aquele efeito em que se usa um fundo azul ou verde na filmagem e depois é inserido o cenário ou objeto por computação gráfica, fica muito falso em várias cenas do filme, o que tira o animo de acompanhar a história. O recorte das imagens e até a iluminação, que já estão tão avançados hoje em dia, foram mal elaborados. Pelo menos, os animais foram muito bem feitos, e as cenas finais nas pirâmides têm seu charme. A direção de arte também merece seu crédito, assim como a fotografia, que é boa. Porém, Roland Emmerich e sua equipe já mostraram pro mundo como a computação gráfica pode ser usada a favor do filme. É incompreensível que, dessa vez, eles tenham errado a mão.

A trama, que envolve o romance entre D’Leh e Evolet, é tão fraca quanto o contexto histórico. Apesar de o casal ter bastante carisma e os personagens serem muito bonitos no vídeo, as atuações não ajudam o fraco roteiro. Quando finalmente parece que “10.000 A.C.” está acertando em alguma coisa, de repente vai tudo por água abaixo.

“10.000 A.C.” não deve agradar aos fãs do gênero de ação, e, muito menos, aos fãs de filmes épicos. É aquele típico filme que você não precisa sair correndo para ver nos cinemas, e pode tranqüilamente esperar chegar na televisão.